O modelo de privatizações anunciado pelo governo federal neste mês suscitou críticas da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, em palestra realizada na última segunda-feira (26) em Salvador. Para a economista, empresas colocadas na lista, a exemplo dos Correios, deveriam ter seus destinos revistos, uma vez que, na visão de Latif, algumas delas não terão investidores interessados.

“Outras empresas, como a Petrobras, por exemplo, que foi especulada, acho para lá de improvável. Aí tem a discussão de Infraero, Correios e outras empresas. Semana passada o Paulo Guedes soltou aquela lista. Tem coisa ali que era para liquidar. Ninguém vai ter interesse em privatizar”, opinou.

Na concepção da economista, o caso dos Correios é emblemático. Para ela, privatizar a estatal exigirá “engenharia financeira” da gestão federal, sobretudo para “separar a parte boa da ruim”. “Vai ter que ter muita engenharia financeira para separar a parte boa. E o diabo de separar a parte boa é que a parte ruim vai ter que ser subsidiada para o governo. E o governo não tem dinheiro. Olha que ironia: uma das dificuldades para privatizar o Correios é falta de dinheiro”, pontuou. “Porque se você ficar só com a parte podre, que você vai ter que socorrer, e a parte lucrativa foi embora, como você paga se não tem caixa? Como faz? Então, essa agenda eu acho mais complexa. No caso do Correios, pois é, nossa Constituição diz que esse é um serviço da União. Teria que fazer uma PEC para privatizar o Correios. É mais complicado”, acrescentou.